O texto do Gen. Ex. José Carlos Leite Filho
apresenta uma análise da conjuntura atual reinante no País. Os efeitos das ações
subversivas estão cada vez mais evidentes no cenário brasileiro, reflexo de um
movimento orquestrado em toda a América Latina. Boa leitura.
“Dois mil e catorze começa como tantos outros
sempre plenos de desejos e esperanças que se esvaem nas mensagens sociais
trocadas. Não devia ser assim em nosso Brasil onde as nuvens negras dos
desmandos são pintadas como se nelas houvesse estrelas brilhantes de uma
sociedade feliz.
Falta-nos autoridade moral nos governantes e
naqueles eleitos para representar o povo. Faltam-nos líderes de conduta ilibada
e dispostos a trabalhar pelo bem comum. A política e seus agentes são
merecidamente enxovalhados, com poucas exceções, pelos que ontem os aplaudiam e
hoje os repudiam no estertor da esperança de mudanças e na triste constatação
de uma nação desamparada.
O território brasileiro se mostra dividido em
feudos pertencentes a famílias que os usam como se fossem hereditários sob o
beneplácito do governo central que com eles se acumpliciam visando, via de
regra, um paraíso terrestre onde os fins justificam os meios. Sem querer
exagerar, até parece que o enriquecimento fácil e imediato é a meta maior.
Exemplos são abundantes e dispensam citação.
“Até quando o povo brasileiro vai ficar
assistindo o terrível espetáculo da destruição nacional? Quem não é político,
ou empresário que recebe benefícios do BNDES e retribui aos que estão no poder,
ou ainda, o povinho minhoca que ganha as “bolsas isso e aquilo” e devolve o
favor/esmola na forma de voto, não é levado em consideração. Os derrotados de
ontem, vencedores(!) de hoje, só pensam em se perpetuar no poder e por saberem
da inércia da população abusam, cada vez mais, dos erros que praticam. A presidente
carregou o neto no colo, no banco traseiro de um carro, infração grave passível
de multa e retenção do veículo, mas pediu desculpas e ficou por isso mesmo.
Faça o mesmo para ver o que lhe acontece. O presidente do Senado usou uma
aeronave da FAB para ir a Recife se submeter a uma cirurgia estética de
implante de cabelos. Você viajaria num vôo comercial, com poltronas apertadas,
ganhando uma barrinha de cereais e olhe lá, ou ficaria careca mesmo.” (Excerto
do editorial do Informativo O AVAIANO-Jan 2014).
A família tradicional, tão valorizada nas
comemorações natalinas, está ameaçada de extinção por um projeto-de-lei em vias
de votação no Congresso Nacional, de iniciativa da ministra da Cultura (?) que
parece inconformada com o fato de Deus haver colocado apenas Adão e Eva no
Paraíso. Criança é queimada viva no Maranhão por ordem de um condenado recluso
em presídio local e outra mulher, dita ministra dos Direitos Humanos, se
mostrou mais comovida com o ferimento sofrido por um marginal em confronto com
um policial militar do que com a tragédia da infante. O povo não pode se manter
anestesiado e com medo de protestar.
Visitas e discursos de ocasião, lamentos
oficiais, comissões que se formam e dinheiro distribuído lastreados por
mentiras e inexistência de quem exija eficácia nas ações saneadoras são
evidência de uma estrutura corrompida, incapaz e hipócrita.
Enquanto isso é o cenário brasileiro, os
tentáculos da esquerda socialista, aqui e alhures, na América Latina, avançam
solidários e dissimulados na limitação das liberdades civis, na perseguição às
oposições, na tolerância ao narcotráfico e na criação de mitos capazes de
arrastar multidões pelas iscas que lhe são atiradas. É o caso de me valer da
inquietação de Sua Santidade o Papa Francisco que perguntou, recentemente, “o
que está acontecendo com a humanidade” e também questionar o que mantém a
população brasileira inerte e submissa a tantos falsos profetas?
Para finalizar, invoco também palavras do
historiador Sérgio Paulo Muniz Costa que afirma que “o problema no Brasil de
agora é que a canalhice e a molecagem se tornaram cívicas e, se não estão
institucionalizadas, certamente são nítidas no cinismo comum àqueles que
corrompem, prevaricam e desgovernam, conseguindo sempre eximir-se.””
José Carlos Leite Filho
General de Exército
09 de janeiro de 2014
(Publicado em “O Jornal de Hoje”, de 10/01/14-Natal/RN)
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